domingo, 21 de outubro de 2018

CENTRO UNIVERSITÁRIO UDF
CURSO: PEDAGOGIA (Licenciatura)
DISCIPLINA: Fundamentos Metodológicos do Ensino da Arte e da Música II
PROFESSORA: Clarissa Barros



Roteiro de projeto






Teatro de sombras como estímulo à abstração e produção textual cênica nas séries iniciais, de acordo com as diretrizes da BNCC








ESTUDANTES:
Janaina Sales Damascena;
Larissa Lemos da Silva Matos;                          
Luana Gonçalves Melgaço;                            
Luma Maria Araújo Chaves;
Stéfanie Ribeiro do Nascimento;
Thais Ketlen Alves da Silva Ferreira.
       
RGMs:
17781817
18548181       
17721091
17663881
18980830
17662206

           
           



Apresentação:
  O presente projeto visa trabalhar a inclusão da arte oriental do teatro de sombras como estímulo à inserção da criança no mundo cênico, não somente no contexto de ator, mas em todo o processo de forma plena. Através de pequenos roteiros, criados a partir do método Viola Spolin de improviso, e personagens, encenação e construção das silhuetas dos personagens com o próprio corpo, desenvolvendo assim sua psicomotricidade e habilidades corporais diversas relacionadas ao mundo cênico e toda a teatralidade cotidiana.



Planejamento



Tema: “O menino que sonhava com a lua” , texto autoral do grupo.

Adaptações do texto: Como o texto foi criado através da arte do improviso dos jogos teatrais e foi específico para o projeto, não serão necessárias adaptações e será uma peça muda sem comunicação verbal explícita entre as personagens, com o auxílio apenas de um(a) narrador(a) para auxiliar no processo de compreensão da plateia, que pode ser composta de crianças que estejam desde o pré-operatório à adultos que já se encontram no operatório formal, de acordo com a teoria piagetiana. Uma vez que nosso projeto busca a inclusão e não a segregação por meio da arte cênica, para que todos os espectadores possam usufruir do prazer estético.


Público alvo:
 Estudantes do 4º ano do ensino fundamental, que com aproximadamente onze anos em um estágio mais avançado da fase simbólica (segundo Piaget), haverá maiores possibilidades de trabalhar uma maior abstração e ruptura com o processo de acomodação estimulando uma diminuição em seu lado egocêntrico. Possibilitando uma colaboração no processo de autonomia na criação e execução do processo cênico compreendendo seu contexto social e empático.

Justificativa:
 Este projeto foi desenvolvido para a geração de conhecimento artístico e nutrição teatral em um contexto não só de acumulação de capital cultural, entretanto a formação de indivíduos empáticos com senso de equidade e respeito que possam fluir livremente em seus processos de criação e improvisações teatrais, aprendendo através de suas interações com os demais e entendendo que cada um dos seus colegas têm um papel fundamental no processo de criação da peça, gerando assim um maior entrosamento e socialização.

Objetivo geral:

Realizar um espetáculo com teatro de sombras com os alunos do 4º ano, levando os a refletir sobre seu contexto histórico, além de completar a nutrição artística e capital cultural.  

Objetivos específicos:
  • Incluir de forma plena toda a turma, desde os estudantes mais tímidos que não se sentem confortáveis para aparecer em frente ao público, aos alunos mais participativos e desinibidos que terão a oportunidade de trabalhar com a colaboração de olhares diferentes na criação, estética, moral e lúdica do contexto de criação artística.

  • Auxiliar o desenvolvimento cognitivo do estudante, trazer benefícios ao seu processo de socialização e organização, também evocar um senso de equidade e respeito. Adquirido a partir de sua experiência na qual faz parte de um trabalho, no qual auxilia e é auxiliado, que respeita e é respeitado, que expressa-se livremente e aprende com a expressão alheia. Adquirindo assim a habilidade de dividir tarefas e compartilhar experiências. Trabalhos colaborativos tendem a favorecer o desenvolvimento e a expressão da subjetividade de cada aluno através da interação com o outro.

  • Processar a criação de dados a partir da interação que permite uma maior espontaneidade da criança que ingressa em um novo mundo de possibilidades no qual pode fluir e criar com o auxílio dos demais uma encenação que auxilia-la-a em seu processo de nutrição artística-teatral, podendo compartilhar com os demais o resultado de seu trabalho e aprender com suas experiências prévias e adquiridas em consonância com seus colaboradores.

  • A teatralidade dos gestos e ações cotidianas refere-se a impressões teatrais e movimentos que são  utilizados na ação cênica, projetar uma visão de algo decorrente do cotidiano.

  • A importância do trabalho da teatralidade de tal forma, busca trazer uma maior acessibilidade a ação cênica trabalhada nos anos iniciais do ensino fundamental, visar não só um autoconhecimento e autocuidado, mas libertar o pensamento e fruição em sua expressão.

Conteúdos: Os conteúdos serão trabalhados de forma interdisciplinar e subjetiva para a livre criação e comunicação de pensamento, são estes;
  • Artes Cênicas
  • Construção do personagem;
  • Adaptação/Construção do texto teatral.


Metodologia: Metodologia de Jogos Teatrais, ou jogos de improviso, segundo Viola Spolin.

Estrutura das aulas: Serão divididas em aulas de uma hora, cada uma delas visando o acréscimo de capital cultural e nutrição estética e acadêmica voltadas para o método utilizado e o estilo aplicado, para aproximadamente 15 alunos.

Cronograma:
Teatro de sombras (origem e formas de apresentação) (2 aulas)

Jogos de movimento e comunicação corporal (2 aulas):
  • Aquecimento
  • Jogo (quem joga/quem assiste)
  • Relaxamento
  • Avaliação/Reflexão

Jogos teatrais (4 Aulas):
  • Quem?
  • O quê?
  • Onde?
  • Quando?

Elementos do teatro (2 Aulas):
  • Teatro de sombras
  • Fruição;
  • Elementos.

Construção da História Texto Teatral (3 Aulas):
  • Sombras: Personagens
                            Cenários
  • Falas/Vozes/Entonações;
  • Efeitos sonoros/Sonoplastia.

Experimentação com sombras (3 Aulas):
  • Inserir as falas;
  • Luz;
  • Som.



Criação de roteiro e adaptações: O roteiro escrito com o auxílio da professora através de trabalho colaborativo entre os alunos será resultado do processo de construção de personagens a partir da metodologia de jogos teatrais, então cada personagens como “o menino” ou “a lua” deverá ser composto de gestos que marquem suas ações ou personalidade, uma vez que não serão verbalizadas pelos mesmos, tendo apenas a ação auxiliadora do(a) narrador(a).
Os alunos sentar-se-ão em um círculo e receberão uma folha na qual farão suas considerações de como seria o roteiro ideal para a peça segundo suas visões, em seguida deverão ser analisadas as propostas entre os mesmos e quais ideias deverão permanecer e quais serão suprimidas. A professora anotará todas as considerações e a partir destas o roteiro será criado e lido ao final, para caso alguém queira acrescentar algo e todos concordem após a leitura.

Para o teatro de sombras não é necessário grande empenho na elaboração de figurino ou maquiagem, entretanto é crucial que a sonoplastia, a construção de personagem,  suas características e sobretudo, a iluminação sejam muito bem trabalhadas para que a peça possa se desenvolver como o esperado e gerar prazer estético aos espectadores.

Iluminação e Recursos gráficos: Será utilizado um lençol de casal branco ou tecido de comprimento e largura extensa, Uma fonte de iluminação focal porém forte, como uma lanterna de leds grande ou um holofote pequeno, além de outros recursos físicos como bancos, bambolês, bolas e peças de vestuário como chapéus que poderão se misturar ao processo cênico na formação da imagem dos personagens.
A peça deve ser realizada em um ambiente o mais escuro possível para que  as sombras se apresentem bastante nítidas para o expectador, podendo ser desde o auditório da escola, até uma sala com as janelas escurecidas com tecido ou papelão.

Apresentação e divulgação do espetáculo: Será usado o bilhete da agenda como principal material de divulgação, também poderá ser confeccionado um banner feito com fotos das silhuetas dos alunos responsáveis, para convidar a comunidade para o espetáculo.
A apresentação durará entre trinta a quarenta minutos, para que seja possível prender a atenção do público infantil e gerar reflexão em todos os espectadores possíveis a respeito da peça apresentada. Além da concentração dos atores e diminuição da timidez perante a plateia. Pois será complicada a apropriação de muitos movimentos devido ao estágio de desenvolvimento no qual as crianças se encontrarem, que embora não seja fixo, deve se considerar que as diversas realidades e vivências experimentadas por elas.

Acompanhamento e avaliação:
A professora acompanhará de perto o desenvolvimento de cada atividade com um olhar crítico e construtivo auxiliando no processo criativo do grupo de alunos. Ao final de cada aula os alunos deverão copiar do quadro as considerações obtidas naquela aula após o momento de reflexão da atividade realizada. Estas considerações serão utilizadas como critério avaliativo por conter o nome do aluno  e a contribuição ofertada por este.

Exemplo: Miguél: Usar um bambolê para representar os aneis de saturno.
  Julia: Abaixar e levantar para simbolizar o brilho da estrela D’alva.
Além da participação e organização nas anotações, será utilizado como critério avaliativo o comprometimento com as atividades propostas e os resultados obtidos em grupo e individualmente, como também uma auto-avaliação que buscará levar o aluno a uma reflexão sobre o trabalho desempenhado.
Serão atribuídos valores de 0-10 para cada um dos critérios avaliativos, para que a partir dos erros cometidos pelos alunos possa ser possível fazer um diagnóstico dos próprios alunos assim como das dificuldades e desafios a serem enfrentados pelo professor na próxima etapa do projeto desenvolvido, como erros de aplicação da metodologia, problemas estruturais ou falta de clareza na explanação. É importante ressaltar que essa nota não é do aluno, não representa o seu valor, mas o quanto ele se dedicou em cada etapa.

Bibliografia:


CENTRO UNIVERSITÁRIO UDF

CURSO: PEDAGOGIA (Licenciatura)
DISCIPLINA: Fundamentos Metodológicos do Ensino da Arte e da Música II
PROFESSORA: Clarissa Barros


Pesquisa


Teatro de sombras como estímulo à abstração e produção textual cênica nas séries iniciais, segundo a BNCC



      














ESTUDANTES:
Janaina Sales Damascena;
Larissa Lemos da Silva Matos;                                           
Luma Maria Araújo Chaves;
Stéfanie Ribeiro do Nascimento;
Thais Ketlen Alves da Silva Ferreira.      
Luana Gonçalves Melgaço.

RGMs:
17781817
18548181       
17721091
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BRASÍLIA, 2018




Resumo

A presente pesquisa pretende abordar o desenvolvimento de um trabalho com Teatro de Sombras no ensino fundamental, com crianças do quarto ano, através da metodologia dos jogos teatrais de Viola Spolin.
Esta pesquisa foi escrita baseada nos trabalhos de Ricardo Japiassu e Ingrid Khoudela, ambos estudos aprofundados nos trabalhos desenvolvidos por Viola Spolin e seu método dos Jogos Teatrais, como também em periódicos das USP que tratam do tema Teatro de sombras e ensino fundamental.
Busca-se abordar o desenvolvimento de textos teatrais através dos jogos, despertar de uma consciência crítica de direito a apropriação e nutrição artística dos saberes estéticos pelos estudantes.

Palavras chave: Teatro de Sombras, Jogos Teatrais, Escola, Criação, fruição estética, expressão, nutrição artística.

















O Teatro de Sombras é uma das mais antigas manifestações de teatrais existentes, segundo a revista Moin Moin surgiu em diversos países do Oriente com características que diferenciam uma técnica de outra e foi popularizado no Brasil e na Europa como Teatro de Sombras Chinês, embora a prática fosse comum em outros países também.

O Teatro de sombras contemporâneo teve seu marco aproximadamente durante os anos sessenta quando os espetáculos foram retomados por algumas companhias francesas que inovou com a criação e utilização de técnicas de produção e projeção de imagem, logo esquecida também, porém retomada cerca de uma década depois.


o Teatro de Sombras como “possível” arte teatral do presente, interligando os fios com as grandes tradições do passado e, principalmente, com a mais próxima a eles e a nós: o Teatro de Sombras francês3 e europeu do século XIX, que já havia elaborado, inovando a técnica, imagens de sombra que podem ser plenamente circunscritas à cultura visual ocidental. Esta tradição, se é que se pode falar em tradição neste caso, representou a única presença relevante do Teatro de Sombras em todo o Ocidente e foi a única, diferentemente das orientais, que se interrompeu . Sobreviveu somente um fio sutil, que constelou o século XX .
Com tantas pequenas, inorgânicas experiências. Esse fio foi sabiamente recolhido e tecido novamente nos anos Setenta, e por isto parece-me correto considerar aquele conjunto de experiências à origem de tudo o que nós hoje chamamos de Teatro de Sombras contemporâneo.
(MONTECCH, Frabrizio, moin moin, p. 26-27 , 2012)



O teatro de sombras chinês surgiu em Pequim e se estendeu ao resto do país, no princípio era tido como algo sagrado devida a fragilidade e efemeridade nos materiais utilizados na confeção da silhueta dos personagens, feitos com papel de arroz, destruído logo após o espetáculo. Posteriormente começaram a ser trabalhadas em couro de animais e envernizadas para adquirirem maior resistência. No surgimento era entretenimento exclusivo da elite porém expandiu-se para a periferia.
O teatro de sombras indiano, as sombras de Malabar eram tidas como as mais interessantes da índia e foi conhecido por guardar as mais ancestrais tradições da arte das sombras na índia, seu trabalho era de cunho religioso e era usado para contar histórias sobre a origem da vida e surgimento da terra.

Já na Turquia o teatro de sombras foi utilizado como recurso de expressão visual, uma vez que a representação clara de divindades ou do profeta Mohamed são proibidas pela religião muçulmana.

O teatro de sombras atualmente não abrange somente bonecos feitos de papel ou couro de animais, porém uma enorme possibilidade de criação através da exploração das formas do corpo e a manipulação de objetos. Esta ramificação do teatro de sombras é denominada Teatro de Sombras Contemporâneo e surgiu na França em meados do século XX.

A importância de se trabalhar o teatro de sombras no ensino fundamental

Ao olharmos uma imagem pela primeira vez, muitas vezes não conseguimos entender o que de fato existe porque apenas sentimos os seus aspectos. Somente iremos realmente perceber, organizando estas sensações para formarmos um percepto mental, ou seja, uma representação mental de um estímulo percebido.
Em outros momentos, percebemos coisas que não existem, como no caso de ilusões de ótica que, envolvem a percepção de informações visuais fisicamente não-presentes nos estímulos visuais sensoriais.
(OLIVEIRA, Fabiana Lazzari, moin moin 2012)

A nutrição estética plena é essencial na formação de cidadãos como Ricardo Japiassu exemplifica em Vista dos jogos teatrais na escola pública, é comum em nossa sociedade o ensino de arte ser tratado como simples adorno e restringi-lo às classes dominantes, desconsiderando que ele é centro de todos os processos biológicos e sociais pelos quais permeiam os seres humanos.  

A abstração vem sendo construída juntamente com a sombra, os esquemas, através dos quais Piaget diz funcionarem as mentes das crianças, vão criando conexões diferentes e aprendendo novas formas de expressar o seu fazer artístico. Os trabalhos que requerem maior exposição do rosto ou visualização do aluno pelo público, podem gerar desconforto em crianças que possuem medo de palco ou dificuldades de expressão em público. O teatro de sombras contemporâneo vem com essa missão de quebrar os paradigmas e construir novos conceitos sobre a expressão e exploração de recursos, tal qual com o empoderamento do sujeito através do seu papel social como agente ativo no espetáculo, tanto na criação dos textos teatrais, como na execução dos papéis e por fim  proporcionar prazer estético aos seus espectadores venha gerar no ator uma reflexão sobre o seu papel social e de artista na sociedade, gerando mais autoconfiança e liberdade de produção de pensamento.

Koudela, ressalta ainda o cuidado com a formação específica, voltada para os conteúdos epistemológicos que dimensionam o saber teatro, a prática teatral e o saber ensinar essa disciplina. Esses conhecimentos devem estar articulados com todas as outras dimensões do ato educativo, desenvolvendo a competência cultural da criança o com a formação de arte-educadores , uma vez que julga necessário que esses profissionais estejam preparados para dar o suporte necessário para esses estudantes receberem uma formação estética adequada.

Os Jogos Teatrais

Segundo Ricardo Japiassu, são procedimentos lúdicos com regras explícitas.
“No jogo dramático entre sujeitos (Faz-de-conta) todos são "fazedores" da situação imaginária, todos são"atores"  Nos jogos teatrais o grupo de sujeitos que joga pode se dividir em "times" que se alteram nam nas funções de"atores"e de"público",isto
é,os sujeitos "jogam" para outros que os "observam" e "observam" outros que "jogam" Na ontogênese,o jogo dramático (faz-de-conta) antecede o jogoteatral.
Esta passagem do jogo dramático ao jogo teatral, ao longo do desenvolvimento intelectual da criança, pode ser explicada como"uma transição muito gradativa, que envolve o problema de tornar manifesto o gesto espontâneo e depois levar a criança à decodificação do seu significado, até que ela o utilize conscientemente,para estabelecer o processo de comunicação  com a platéia.



Referências bibliográficas





file:///C:/Users/Senhora%20das%20Gal%C3%A1xias/Downloads/36153-Texto%20do%20artigo-42562-1-10-20120805.pdf